Será o novo banco digital israelense capaz de sacudir o setor?

Lançado no dia 14 de março de 2021, 43 anos após a última abertura do tipo, o novo banco israelense controlado por Amnon Shashua anunciou que iniciará um programa piloto com centenas de novos clientes, prevendo-se a expansão para milhares até o final do ano. O primeiro banco inteiramente digital do país inicialmente promoverá operações bancárias simples e mais tarde terá também a oferta de ações.

Depois de três anos de anúncios e atualizações no ambicioso projeto, o Digital Bank está começando a tomar forma. A grande pergunta é se liderará a revolução no setor bancário israelense.

Em um comentário oficial, Gal Bar-Dea, CEO do banco, disse o seguinte: “O Netflix matou a Blockbuster, Spotify foi disruptivo na indústria musical, a Tesla deixou Ford e Mitsubishi comendo poeira. A indústria bancária é uma das poucas que não passou por uma verdadeira revolução. Marcas grandes e antigas controlam o mercado com pouca competição e oferecem exatamente os mesmos produtos”.

Entretanto, até bancos tradicionais são hoje muito mais digitais do que eram há cinco anos, e a crise do Covid-19 foi instrumental para acelerar a transformação digital. Anos recentes tem visto a o lançamento de outros bancos digitais, como o Atom e Monzo no Reino Unido e N26 na Alemanha, que não tiveram o impacto desejado no cenário existente, em parte devido a sofisticação e regulação característicos do setor bancário.

Se um único banco será capaz de alterar o cenário ainda não é certo, mas existem formulas para o sucesso. A primeira forma de romper com um mercado existente é através da precificação. Bancos digitais são muitas vezes mais baratos do que os tradicionais em termos de taxas de comissão, mas batalham para oferecer preços melhores em empréstimos ou depósitos, por estarem sujeitos a normas restritivas sobre capital e a forma em que os serviços podem ser prestados.

A vantagem principal de um banco digital é seu modelo enxuto, que não computa gastos com espaços físicos e emprega menos pessoas. Entretanto, estruturas tecnológicas também possuem custos, e os funcionários vêm do setor tech, onde salários são geralmente bastante altos.

Uma área em que se espera preços substancialmente melhores por parte do banco digital é na compra e venda de ações e no gerenciamento de portfolios no mercado de capitais, considerada uma das últimas e principais fontes de lucratividade para os bancos.

Segundo a Digital Bank de Shashua, seu principal diferencial é o uso de inteligência artificial e inovação, como já fazem diversos outros bancos do tipo por todo o mundo, inclusive os tradicionais. Ainda não existe um winning case no segmento, e empresas que possuem expertise na coleta e análise de dados e tecnologias avançadas, como Google e Apple, também já ensaiam sua própria entrada no mundo das finanças pessoais.

Uma das principais preocupações no uso de tecnologias avançadas é a privacidade. Google possui o benefício de ter carta branca neste aspecto, podendo usar dados dos clientes quase que livremente. Mas, para os bancos, as regras do jogo são outras, e se espera que órgãos regulatórios em Israel e no exterior determinarão condições muito menos permissivas para o que poderá ser feito com os dados dos clientes.

Espera-se que o Digital Bank irá oferecer uma interface amigável, bons serviços e atendimento ao cliente, bem como benefícios para àqueles que colocaram seu dinheiro ali. Resta ver se o investimento de U$60 milhões de Shashua valerá a pena, revolucionando um setor tão tradicional na companhia de outras inovações do Fintech.

Fonte: Calcalist Tech