Mulheres usam aplicativo de crowdsourcing para garantir sua segurança nas ruas de Tel Aviv

Em 2011, uma festa na região central de Tel Aviv assumiu feições problemáticas quando uma mulher foi cercada por dois homens em um quarto vazio. Quando suas amigas, preocupadas com a ausência, aparecerem, os sujeitos fugiram. Este foi o momento aterrorizante que inspirou uma das amigas, Neta Schreiber, a desenvolver o SafeUp, aplicativo que permite mulheres que se sintam em situação de perigo ou ameaça peçam ajuda de outros subscritores.

Iniciando suas operações em 14 de março de 2021 em Tel Aviv, cujo laboratório municipal de tecnologia foi usado para desenvolver a solução, SafeUp pode trazer alento também para mulheres em cidades maiores, como Londres, onde o sequestro e assassinato da pedestre Sarah Everard levantou debates na sociedade civil sobre melhores medidas de combate a este tipo de crime.

Além de permitir que suas usuárias compartilhem sua localização em tempo real com contatos selecionados de antemão, o aplicativo para smartphones consegue localizar e conectar via áudio ou vídeo com uma rede de voluntárias “guardiãs” que estejam até 500 metros de distância.

Caso a mulher ou uma das “guardiãs” – que passam por treinamentos sobre elementos legais e psicológicos da intervenção em momentos de crise – julgarem que há perigo iminente, podem ligar para polícia através do aplicativo, que consegue ativar a câmera e microfone do celular para coletar provas.

Para situações menos extremas, as voluntárias podem simplesmente se deslocar até o local para prestar auxílio.

De acordo com Schreiber, “buscamos trabalhar com um tempo de resposta de até cinco minutos”, havendo sido estabelecido durante os testes que quando uma mulher que estava sendo abordada de forma imprópria usou o SafeUp durante a fase de testes, a chegada de duas “guardiãs” foi o suficiente para afastar os elementos.

O aplicativo, que pode ser baixado gratuitamente, também ajuda a combater a violência doméstica, apesar das “guardiãs” não adentrarem em residências particulares. E enquanto Tel Aviv é considerada relativamente segura quanto ao crime, a inovação tem sido bem recebida pelo público feminino. Em Israel, cerca de 4% das mulheres já sofreram assédio sexual, e 0.3% já foram molestadas, estupradas ou enfrentaram tentativas de estupro, de acordo com o Central Bureau of Statistics nacional. Entretanto, apenas 45% das mulheres sujeitas à violência ou ameaças de violência registram reclamações na polícia.

“Claro que irei usar”, disse Lital Herman, gerente de produto de 33 anos para a SafeUp. Concluiu que “pessoalmente [acredita] que Tel Aviv é muito segura, e geralmente não sai muito tarde de noite. Mas, se necessário, tenho meu cachorro e usarei o aplicativo caso sentir a necessidade de caminhar com mais uma companheira”.

O movimento feminino Naamat aplaudiu o lançamento e acredita que seja um passo significativo na campanha maior destinada a frear a violência contra mulheres, mas adicionou que “startups e a mobilização de tecnologia a serviço da segurança não são o fim, e nem todo crime pode ser prevenido desta forma”.

Fonte: Reuters via Ynet News