Empresa israelense de leite cultivado BioMilk é a primeira do mundo a abrir capital na bolsa

A startup israelense BioMilk, criadora de uma tecnologia inovadora para produzir leite de vaca em laboratório, foi a primeira empresa de seu tipo, em todo o mundo a fazer um IPO, passando a vender ações para o público na bolsa de valores de Tel Aviv (TASE) durante esta semana.

Fundada em 2018 por Dr. Nurit Argov-Argaman e Maggie Levy da Hebrew University of Jerusalem, a BioMilk desenvolve o leite bovino em laboratório a partir de células mamárias. A empresa busca produzir a bebida que se aproxima da composição do leite de vaca comercializado, mas livre de aditivos sintéticos ou de plantas e com menos hormônios e antibióticos do que o produto tradicional. Paralelemente, desenvolve uma réplica artificial para o leite materno humano, o que inclui a produção de carboidratos complexos encontrados no leite humano que auxiliam no desenvolvimento do sistema imunológico.

Produtos alimentícios que não exigem o uso de animais, como a carne cultivada em laboratório e o próprio leite, têm o potencial de contornar diversos desafios ambientais, éticos e de saúde. Mas, enquanto diversas empresas ao redor do mundo, inclusive em Israel, encaram o desafio do mercado de carne, o leite representa uma indústria ainda pouco explorada.

Segundo o VP de BizDev da BioMilk, Nathaniel Benchemhoun, existem apenas três empresas de leite em laboratório viáveis, dentre as quais se destacam por possuírem a tecnologia mais avançada no momento, usando o conhecimento adquirido em dez anos de pesquisa por cientistas na Hebrew University of Jerusalem.

A empresa, com sede em Ramat Gan, é hoje a única de seu segmento listada em uma bolsa de valores. De fato, o ano tem sido movimento, pois em fevereiro completou ainda uma fusão com a Fantasy Network, uma empresa publicamente negociada que permite o compliance com requisitos legais. A atual capitalização bolsista da empresa é de NIS 270 milhões, que representam U$ 82.8 milhões. A BioMilk é uma de oito empresas de tecnologia alimentícia cujas ações podem ser compradas na bolsa de Tel Aviv.

Para o CEO da startup, Tomer Aizen, “este é um marco histórico em direção ao objetivo da empresa de acelerar a introdução do produto no mercado local”, pois “a confiança do investidor que temos através da TASE permite o desenvolvimento de soluções pioneiras”.

Complementa Benchemhoun que o desejo de se tornar uma empresa pública aconteceu por algumas razões, que incluem o momento “favorável” das bolsas norte-americana e israelense, bem como a oportunidade para crescimento que acompanha este momento. Isto porque, “fundos de venture capital tradicionais esperam um retorno de seu investimento em cinco a sete anos, mas empresas de biotecnologia geralmente possuem um tempo maior [e] em nosso plano, o desenvolvimento demorará mais para que se consiga entrar em diversos diferentes mercados”.

Com isto em mente, grande parte do orçamento irá para a expansão da equipe de pesquisa, que usará sua expertise para ajudar a desenvolver e escalar a tecnologia dos produtos alternativos, bem como no campo dos nutracêuticos, que usarão o leite para desenvolver alternativas farmacêuticas como pílulas e aditivos.

Em dezembro de 2020, contou Aizen ao site NoCamels que estão também desenvolvendo um processo que irá permitir a produção de leite materno humano cultivado, incluindo toda a complexa composição secretada do corpo de uma mãe, aproximando-se totalmente do que a natureza tem a oferecer. Segundo o Dr. Argov-Argaman, a tecnologia é similar à empregada para outros animais, mas requer um processo regulatório mais extenso.

A empresa planeja lançar sua primeira amostra de leite de vaca cultivado para testagem em 2021, e leite humano em 2022. Além disso, um passo vislumbrado para o futuro é a abertura de capital em uma bolsa como a NASDAQ. Isto porque, o IPO na TASE foi o primeiro passo, mas não o último para a empresa.

Fonte: NoCamels