Startup israelense SAIPS está ajudando a Ford a lançar um veículo autônomo até 2022

Empresas automotivas como Tesla, Toyota, Volkswagen, GM e Waymo (projeto da Google) estão correndo para trazer veículos autônomos ao mercado convencional. Em Israel, empresas como a Yandex e a subsidiária da Intel baseada em Jerusalém, Mobileye, estão nas ruas há muitos anos testando este tipo de tecnologia.

A gigante automotiva norte-americana Ford também se juntou à competição para lançar um carro equipado com o nível quatro de automação, ao anunciar uma parceria com a Mobileye que deverá desenvolver produtos que equiparão as ofertas de produto globalmente feitas pela marca.

A Ford também está trabalhando com outra equipe israelense para chegar à linha de chegada, a SAIPS (Signal Analysis and Image Processing Services). Esta empresa israelense de visão computacional e machine learning foi adquirida pela montadora, e exerce importante papel nos planos para entregar um veículo completamente autônomo, produzido em larga escala, destinado principalmente ao mercado de corridas e caronas por aplicativo. Os planos foram anunciados em 2016, quando dobrou seu escritório no Vale do Silício e selecionou quatro empresas – dentre elas a SAIPS – para desenvolver o projeto.

Enquanto o lançamento oficial já foi adiado para 2022, como efeito da pandemia do Covid-19, a Ford já recebeu o sinal verde do Ministério de Transportes de Israel para começar a testagem de veículos do modelo Fusion em ruais israelenses. Os carros serão operados pelo centro de P&D da empresa, estabelecido em 2019 em Tel Aviv. Este centro funciona também como incubadora para a pesquisa e desenvolvimento da Ford para projetos desenvolvidos em todo o mundo, contando com 45 empregados atualmente.

Ao ser fundada em 2013, a SAIPS não era uma startup voltada exclusivamente para o setor automotivo, tendo como missão desenhar, desenvolver e implementar algoritmos que solucionassem desafios de visão computacional em campos como o de semicondutores, gaming, medicina, esportes, comunicações móveis e varejo.

Isto mudou quando foi adquirida pela Ford em 2016, evento fortuito que o CTO da empresa, Rotem Littman, chamou de “boa oportunidade para ambos os lados”. O que começou com 20 clientes se tornou uma operação gigantesca, pois agora a empresa desenvolve algoritmos em tempo real, que ajudam o veículo autônomo a entender seu ambiente e resolver problemas na via como o reconhecimento de movimentos, detecção, localização e rastreamento, e predição de condições adversas usando dados de sensores 2D e 3D.

A Sociedade de Engenheiros Automotivos (SAE) determinou que o nível de inteligência e capacidade de automação para veículos autônomos deve se basear em um sistema de ranking que vai do nível 0, ou manualmente controlado por humanos, até o nível 5, em que toda a interação é eliminada. Neste contexto, a SAIPS está dando capacidades de nível 3 e 4 aos veículos da Ford, buscando criar uma máquina que poderá intervir caso haja uma falha no sistema.

Conforme a explicação de Littman, “nível 5 significa totalmente autônomo, funcionando em qualquer condição mesmo sem um motorista no veículo. Este é o resultado dos sonhos. O nível 4 é similar, mas funciona em condições mais limitadas, como por exemplo em áreas já georreferenciadas. Por exemplo, pode funcionar no centro de Tel Aviv, mas não fora da cidade porque ainda não houve o mapeamento, e o veículo não conhece o ambiente. Ou, pode ser que funcione apenas de dia e não de noite, ou no verão e não no inverno quando há neve”. Diferente de aplicativos que conhecemos e amamos como Google Maps e Waze, aqui é necessária uma medição com acurácia de centímetros.

Apesar de muitas empresas haverem anunciado que lançariam veículos autônomos até 2019 (o que não aconteceu), a estratégia da Ford não é ser a primeira, e sim a última. Por possuir maior investimento, a empresa deseja construir sua tecnologia do zero, mesmo que isto aumente em um pouco o tempo de espera dos consumidores.

Fonte: NoCamels