“Big data” israelense ensina produtores que uma xícara de alegria significa maior produtividade

O chamado “big data” não é apenas para desenvolvedores de cibersegurança ou aplicativos móveis. Produtores rurais também podem usá-lo para aumentar sua produtividade, acredita Ron Shani, CEO da empresa de big data agrotecnológico AKOL (Agricultural Knowledge Online).

“Nossa plataforma permite que os usuários saibam exatamente o que fazer para cuidar da safra, quando fazer e o quanto fazer, para extrair os melhores resultados de seus campos”, diz Shani. E mesmo se aquilo que precisam fazer seja apenas tomar uma xícara de café quente pela manhã, afirma ele.

“Por exemplo, descobrimos que, no caso dos produtores da Sérvia, havia uma relação definida entre tomar café e produtividade rural – os produtores que não tomavam café pela manhã não eram tão produtivos quanto os que tomavam.”

Autoridades agrícolas chinesas assinaram no mês passado um acordo com a AKOL para usar sua tecnologia de “nuvem agrícola” em viveiros de peixes. O sistema AKOL permite aos piscicultores o acesso a informações de profundidade, reunidas por meio de sensores e analisadas nos servidores do sistema, que lhes informam quando limpar reservatórios, quando alimentar os peixes e em que quantidade etc.

O sistema de reunião e análise de dados sobre peixes é apenas um dos vários que a AKOl fornece a produtores envolvidos em muitas atividades agrícolas, como cultivo de uvas e grãos, piscicultura, criação de frangos, pecuária e apicultura. Os reservatórios de peixes na China são os últimos em uma extensa lista de clientes da AKOL. A empresa realiza um extensivo trabalho na China, na Europa, nos Estados Unidos e em Israel, onde os clientes incluem produtores de leite, vinhos, pecuaristas, criadores de frango e inúmeros agricultores de kibbutz e moshav.

Para usar o AKOL, sensores são implantados em árvores, videiras e campos, ou afixados a vacas, sistemas de leite, alimentadores de animais e outros itens, onde são registrados dados sobre o ambiente, a temperatura e a umidade, a quantidade de alimento ingerida pelos animais, a atividade entre eles, as condições do solo para as plantas, o nível de pestes na área e outros.

Os dados são então analisados e comparados a orientações para a produção ideal em cada circunstância, e instruções específicas são enviadas aos produtores. Por exemplo, o sistema poderia orientar produtores de laticínios a aumentar a quantidade de líquidos dada às vacas em um dia muito quente, para assegurar que produzam o máximo de leite possível, ou a fornecer aos animais um mix específico de alimentos para evitar a atração de pestes ou bactérias presentes no ambiente. O sistema de SAAS (software como um serviço) é baseado na nuvem, usando a tecnologia Microsoft Azure.

Além dos dados brutos sobre condições de produção e meio ambiente, o sistema da AKOL leva em consideração questões culturais e analisa como trabalham pessoas em áreas específicas. É daí que vêm as recomendações. “Agora, por exemplo, nossos clientes sérvios asseguram que seus trabalhadores tomem uma xícara de café forte e saboroso antes de saírem para o trabalho nos campos de trigo e milho. Não haveria como fazer uma relação como essa antes da era do ‘big data’, e o AKOL é o único sistema do mundo que tem algoritmos para esse tipo de análise cultural”, diz Shani.

O AKOL não é o único sistema de ‘big data’ para agricultura, produção leiteira e criação de animais. É, no entanto, um dos poucos que não são voltados a grandes empresas, mas a pequenos produtores, afirma Shani. “Fixamos os preços dos nossos serviços de forma muito razoável. Também tornamos o sistema tão simples quanto possível, com interface em smartphones, facilitando o acesso a informações para os produtores. É como uma sala de controle para os produtores, com o sistema rastreando todos os detalhes de que eles precisam para terem sucesso.”

O acesso a dados de precisão é muito útil para os produtores que exportam, especialmente para a União Europeia. Como o agronegócio se tornou global, surgiram perguntas sobre a origem das commodities enviadas de regiões remotas do mundo. As diferentes normas sobre a quantidade de pesticidas usada na produção, o tipo de fertilizante ou ração aplicado a plantas ou animais, a forma de ordenha de vacas ou de estocagem de ovos, além da possibilidade de uso de trabalho infantil ou escravo na colheita de produtos agrícolas e na produção de leite e ovos, geraram uma enorme confusão no mercado de commodities.

Muitos países, especialmente na UE, adotaram leis muito rigorosas sobre como os animais podem ser tratados. Por exemplo, ovos vendidos em países da EU não podem ser procedentes de galinhas que foram criadas em gaiolas apertadas. Em alguns países, como a Suécia, é ilegal vender ovos que não sejam procedentes de galinhas criadas ao ar livre.

Com tudo o que se refere às suas galinhas registrado na base de dados da AKOL, no entanto, os avicultores podem provar que atendem às normas internacionais (chamadas de GAP, sigla de Boas Práticas Agrícolas em inglês) adotadas por muitos supermercados da UE.

“Para atender às rigorosas exigências GAP, um cartão de ID deve ser desenvolvido para cada produto, incluindo todo o seu histórico até o momento”, diz Dhani. “A melhor forma de conseguir isso é usar sistemas de informação computadorizados que permitem não apenas o controle de todos os processos, mas a documentação completa e precisa de todos os estágios de cultivo, embalamento e entrega. Os clientes que usam os sistemas da AKOL se beneficiam da geração de relatórios que lhes permitem cumprir as normas GAP.”

Mas como os produtores – geralmente um setor muito independente – concordariam em ser microgerenciados dessa forma, desde sua xícara de café?

“Isso, na verdade, é um problema”, diz Shani. “É preciso algum esforço para convencer os produtores de que isso é uma boa ideia para eles, e nós geralmente não entramos à força em um mercado. Em vez disso, realizamos um projeto-teste em uma fazenda, como uma demonstração, e convidamos os produtores a observar. Quando veem que as fazendas estão muito mais produtivas e percebem que poderiam estar lucrando muito mais usando nosso sistema, eles ficam mais felizes em participar de nossos ‘dados coletivos’”.

Fonte: Times of Israel

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