Tecnologia israelense para navegar o turbulento cenário político de 2020

A polarização política da cobertura midiática é um fenômeno global, exemplificado pelo tratamento dado pela mídia às eleições presidenciais dos Estados Unidos da América de 2020. Considerando que o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América permanece (pelo menos em sua própria percepção) a mais poderosa e influente posição do mundo, estas eleições importam.

Um estudo internacional conduzido antes da eleição de 2016 demonstrou que 83% dos entrevistados norte-americanos se descreveram como interessados nas eleições do país. Em comparação, 84% dos entrevistados australianos se descreveram como interessados nas eleições norte-americanas, o que torna os australianos, localizados literalmente no outro lado do mundo, aparentemente mais interessados que os próprios norte-americanos. Não há dúvida que a eleição é de enorme interesse tanto para os Estados Unidos quanto para o resto do mundo, com o tendencionismo da mídia interpolando em nossa percepção de todo o processo.

A eleição de 2020 é particularmente polêmica, com um novo estudo da Pew Research Center vindo a demonstrar que Republicanos e Democratas confiam em dois – praticamente opostos – ambientes de mídia. O estudo perguntou sobre o uso, confiança ou falta de confiança em 30 fontes de informação, e demonstrou uma larga polaridade de opiniões entre eleitores de cada partido.

Em setembro de 2020, uma pesquisa feita pela Gallup revelou que 69% dos norte-americanos se disseram mais preocupados com tendicionismo nas notícias consumidas por outras pessoas do no consumido por eles (29%). Em outras palavras, mas americanos sentem preconceito com fontes de outras ideologias que não as suas. Ademais, os Estados Unidos da America hoje tem um recorde de engajamento de eleitores, mas quase metade acredita que terá dificuldades para votar. Um estudo recente demonstrou que 50% dos norte americanos disseram que será “muito” ou “um pouco” fácil decidir para quem votar, enquanto quantia similar, de 49%, acredita que terá dificuldades em decidir. Em comparação, em outubro de 2018, 85% dos eleitores indicaram que seria fácil votar. O engajamento nunca esteve tão em alta, mas a confusão nunca esteve pior. Nestas graves circunstâncias, como pode a tecnologia ajudar a alavancar o angajamento para lidarmos com a confusão trazida pelos conglomerados de mídia?

O primeiro debate presidencial norte-americano em 2020 foi amplamente criticado pela infantilidade exibida pelos candidatos e seus discursos completamente infrutíferos. O conteúdo do debate emulou opiniões expostas em tom agressivo que levam a argumentos vazios de visões opostas, não representando o evento informativo esperado. A empresa israelense OpenWeb combate o tema de conversas políticas tóxicas desde a fonte.

A tecnologia do OpenWeb  cria um ambiente virtual onde todos os pontos de vista participam da conversa e dá aos editores o poder de criar um diálogo saudável entre leitores engajados. Fundada em 20212, a empresa tem escritórios em Tel Aviv e Nova Iorque, e é utilizada por sites como AOL, Huffington Post, MSN e SkySports. OpenWeb é uma plataforma que está buscando tomar uma posição e promover uma solução para a dicotomia entre visões políticas e a toxicidade que pode ser evitada com o diálogo.

Em adição aos diálogos pouco produtivos entre líderes e dentro da própria sociedade, encontramos mais um problema dentro da mídia nas fake news. Norte-americanos classificaram informações inverídicas destinadas a ferir a reputação de uma pessoa ou entidade, ou ganhar dinheiro através da propaganda, como um problema maior que o racismo ou mudanças climáticas. As mídias sociais tem exacerbado o problema da (in)autenticidade das informações, pois milhões de robôs ajudam a propagar as fake news nestas plataformas. Infelizmente, o mercado das fake news é altamente rentável, gerando centenas de milhares de dólares em propaganda todos os anos. Adicionalmente, servem para galvanizar pontos de vista já fortemente preconceituosos e criar um vão crescente entre pessoas de diferentes orientações políticas.

De acordo com Tamir Pardo, chefe da Mossad (Serviço Secreto de Inteligência de Israel), o que vimos até agora com relação a robôs preocupantes e a distorção de informações é apenas a ponta do iceberg. É a maior ameaça dos últimos anos, e ameaça valores básicos que compartilhamos como a democracia e ordem mundial criadas desde a Segunda Guerra Mundial. Cheq, uma empresa israelense que figurou na 2019 CNBC Upstart 100 list, apresenta uma solução para a diseminação de desinformação ao identificar falsas propagandas e conteúdo fraudulento na internet.

Seu CEO, Guy Tyunovich, ex-membro do 8200 Unit das Forças de Defesa israelense, que lida com cybersegurança militar, lidera a Cheq. Tyunovich utilizou seu conhecimento em cybersegurança processamento de linguagem para criar a ferramenta, que usa inteligência artificial para identificar fake news e garantir que agências de publicidade não estão colocando propagandas nelas.

O problema das fake news ajuda a reforçar as diferenças políticas, principalmente relação a grupos demográficos específicos que tem maior propensidade a acreditar nas mentiras. Para combater isto, a empresa israelense GeoQuant usa software de machine-learning que busca a rede por grandes volumes de dados confiáveis, notícias e coneúdo de redes sociais. Os dados são usados para abastecer algorítmos inteligentes que geral análises objetivas de risco. Suas previsões são altamente precisas pois se baseiam em modelos de sistemas de dados e não opiniões. O CEO da GeoQuaint, Mark Rosenburg, já disse que a companhia desenhou uma plataforma SaS que avaliar conteúdo político em tempo real através de uma dashboard costumizável.

Para superar o abismo entre a diseminação de desinformação, as notícias hão de ser encaradas com um olhar crítico e os indivíduos devem manter seus ouvidos abertos, fazendo bom uso da claridade que a tecnologia nos traz.