Israel: o país das start ups

Desafiado por conflitos milenares e e pela aridez do oriente médio, Israel alçou-se à posição de estrela global da inovação tecnológica. O que o Brasil pode aprender com a sua história Robson Viturino, de Tel-Aviv • Fotos Kobi Kalmanovitz ESPÍRITO

EMPREENDEDOR Tomer Dvir, sócio da Soluto, empresa que quer ganhar o mundo tornando o PC mais ágil

Rua Einstein, número 40. No décimo andar do Ramat Aviv Tower, um edifício modesto no norte de Tel-Aviv e a meia hora de caminhada do mar Mediterrâneo, trabalha um ícone do capitalismo no Oriente Médio. Seu nome é Yigal Erlich e, diante do escritório de carpete antigo e da forma como ele se veste – camisa polo verde-musgo, calça cáqui e sandálias de couro –, é fácil se render à imagem de um ancião a caminho da aposentadoria. Porém, como mostra o pouco espaço na agenda de Erlich e o interesse com que empreendedores e investidores de Israel reagem quando seu nome é citado, essa é uma imagem para lá de equivocada. “Ele é o pai das start ups de Israel”, afirma Shmuel Chafets, diretor do fundo de venture capital Giza, que tem sede no mesmo prédio, apenas dois andares acima, e é seu concorrente direto.

Erlich e sua empresa Yozma, a pioneira no país a levantar capital com investidores e injetá-lo em negócios de alta tecnologia, estão em plena atividade. Em novembro de 2010, uma das razões para a sua agenda estar cheia era que uma das empresas do seu portfólio, a produtora de aplicativos para internet Conduit, tornou-se notícia ao atrair a atenção da Microsoft. Numa primeira aproximação, a gigante americana de Bill Gates teria feito uma oferta de compra de US$ 300 milhões pela Conduit. “Adoraria fechar negócio com a Microsoft, mas nossa empresa vale mais de US$ 1 bilhão”, diz um Erlich cuja modéstia, por um breve instante, desaparece.

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Poucas pessoas personificam o espírito empreendedor da Terra Prometida com tanta fidelidade. Em que pese sua realização à frente do Yozma (em hebraico, iniciativa), seu feito mais lembrado foi ter levantado um dos pilares de Israel – ou o “toque final” para que sua economia ingressasse no século 21, a despeito da relação trágica do país com os vizinhos muçulmanos que, volta e meia, os faz recuar milênios no calendário.

No posto de cientista-chefe, espécie de superministro do empreendedorismo, Erlich liderou o movimento que, no início da década de 90, fez dos pequenos e médios negócios de tecnologia a grande estrela do crescimento israelense. “Estava claro que faltava algo para deslancharmos”, diz ele, com um traço de orgulho. Ao desatar nós burocráticos, promover a aproximação entre universidades e empresas e imbuir as start ups de um até então inédito sex appeal para fundos de venture capital, ele ajudou o país a encontrar sua verdadeira vocação – e depois saiu correndo para também ganhar dinheiro.

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