Empresas tech aceleram a chegada da indústria automotiva a Israel

Existem lugares em que se espera encontrar fabricantes de veículos, como no sudeste de Michigan, no norte da Itália ou no entorno do Nürburgring na Alemanha. Mas, se historicamente Israel pode não parecer um forte candidato para se juntar a este grupo, a realidade é que um número substancial de fabricantes automotivos estão migrando também para o país, como na rota feita recentemente pela Geely, empresa-mãe da Volvo.

Alguns anos após adquirir a Volvo em 2010, Geely estabeleceu a China Euro Vehicle Technology AB (CEVT) na cidade natal da marca sueca, Gotemburgo. Sua missão é buscar e desenvolver novas tecnologias para o grupo, que inclui além da Volvo, Polestar, Lynk & Co, Lotus, a indústria malaia Proton e a London Electric Vehicle Company. O grupo também possui a cota majoritária de 9.7 porcento na Daimler, com a qual compartilha a marca Smart. Agora  CEVT abriu um novo escritório satélite em Israel, e cada uma de suas empresas-irmãs se prepara para colher os benefícios como resultado.

Apesar de não possuir tradição na manufatura de automóveis, Israel tem se estabelecido como um líder no segmento da mobilidade urbana inteligente. Empresas como a Mobileye (adquirida pela Intel por U$15.3 bilhões), Waze (comprado pelo Google por US966 milhões) e a Argus (obtida pela Continental AG pro U$430 milhões), demonstram a liderança da nação em matéria de veículos autônomos, navegação e cybersegurança, respectivamente. E fabricantes automotivos como a Volvo e Geely estão ansiosas para fazer parte deste florescente ecosistema.

A CEVT trabalha com startups israelenses desde 2018, quando participou pela primeira vez da EcoMotion expo anual. Agora, abriu seu hub de inovação no topo da torre mais alta do país, a Azrieli Sarona em Tel Aviv, em operação sob a liderança do ex-diretor da EcoMotion, Lior Zeno.

Conforme dito por Didier Schreiber, chefe de inovação na CEVT para a revista Car and Driver, “Israel tem um ambiente de inovação aberta líder em todo o mundo, dirigido ainda por uma paixão por inteligência artificial e cybersegurança”, motivo pelo qual acredita que “combinar a eficiência de uma grande corporação como a CVT com as habilidades empresariais das empresas israelenses é a melhor forma de achar as soluções de mobilidade do amanhã”.

Assevera ainda que “a mobilidade atrás de portas fechadas raramente leva a algo revolucionário. Até agora, a presença da CVT em Israel foi fecunda, levando a diversas validações de conceito”.

Ao contrário de algumas de suas concorrentes, a CEVT não está buscando adquirir ou investir em startups, preferindo focar em relacionamentos mutuamente benéficos entre empreendedores inovadores e o Geely Group. Zeno disse ainda que seu escritório possui seis projetos do tipo em andamento, com outros quatro sob consideração, e mais três planejados para os próximos meses.

Recentemente, a CEVT despachou uma crossover da Lynk & Co a Israel para fazer testes das novas tecnologias. O veículo é idêntico aos utilizados na Suécia e em outra instalação no norte da Finlândia, permitindo que desenvolvedores testem as inovações nos três ambientes sem precisar se locomover fisicamente, o que é essencial durante a pandemia do novo coronavírus.

Mas a empresa sino-sueca não é a primeira a se envolver com o Silicon Wadi (ou vale, em arábe). A General Motors começou a trabalhar com startups  israelenses em 1995. Hoje, o GM Advanced Technical Center em Herzliya emprega cerca de quatrocentos desenvolvedores de software, engenheiros elétricos, e cientistas de dados, sendo a única filial fora dos Estados Unidos da GM Ventures, seu braço de investimentos.

Empresas automotivas alemãs também tem sido ativas em Israel. A Volkswagen possui diversas operações no país, incluindo escritórios individuais das divisões Seat, Skoda e Porsche, bem como um hub de todo o grupo. A Mercedes-Benz possui 25 empregados trabalhando em seu centro de R&D em Tel Aviv. E a BMW recentemente abriu um escritório no mesmo prédio da CEVT.

Nos últimos anos, Ford, a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, e a rival chinesa da Geely, SAIC, todas abriraram entropostos no país. Honda e Hyundai também possuem versões locais de seus programas de aceleração de startups do Vale do Silício.

Entretanto, algumas montadoras ficaram de fora. Por exemplo, apesar dos clãs controladores Agnelli/Elkann possuirem laços com o país, a Fiat Chrysler não tem presença corporativa em Israel, assim como seu parceiro francês, o grupo PSA. Já a Toyota AI Ventures centrou todas as suas atividades tecnológicas para a região EMEA em Israel, mas deixou apenas um funcionário responsável, que foi embora sem substituto.

Entretanto, considerando o papel cada vez mais importante da technologia israelense na indústria automotiva global, não será surpresa se estes pequenos vãos também forem preenchidos em breve.

Fonte: Car and Driver