Viagem Virtual no Tempo para o Tratamento de Traumas

A viagem no tempo é um sonho de físicos e historiadores. Infelizmente, a menos que você seja Michael J. Fox em “De Volta para o Futuro”, vai demorar algum tempo experimentá-la.

Enquanto esperamos ansiosamente pela invenção de uma máquina do tempo, pesquisadores israelenses descobriram que dispositivos podem ser usados para causar a ilusão de “viajar no tempo.”

Em um estudo conduzido por Doron Friedman, do Centro Interdisciplinar (IDC) em Herzliya, Israel, 32 participantes foram colocados em uma situação moralmente desafiadora em uma realidade virtual, na qual foram forçados a tomar uma decisão de vida ou morte. Após a decisão, foi dada a oportunidade de reviver a mesma situação a alguns dos participantes, modificando suas ações com base em experiências passadas.

Para criar a ilusão de uma viagem no tempo, os pesquisadores utilizaram um programa de realidade virtual, no qual participantes podiam se mover e falar como na vida real. De acordo com outro pesquisador que participou do estudo, o mundo virtual obteve sucesso em imitar o mundo físico, fazendo os participantes se sentirem totalmente imersos no passado. Como co-autor, o Prof. Mel Slater do University College de Londres falou à BBC, “Na realidade virtual, o sistema de percepção de baixo nível do cérebro não faz distinção entre o mundo virtual e o real; o cérebro entende que o que ele enxerga e ouve do ambiente ao redor é real.”

A situação dava a escolha para neutralizar um atirador em um museu lotado aos participantes. Neste cenário, o participante entra em um elevador com um atirador desconhecido que planeja eliminar cinco visitantes no segundo andar.A maioria dos participantes subiu até o segundo andar na primeira tentativa, arrependendo-se imediatamente de sua decisão ao descobrir o plano do atirador.

Foi permitido à metade dos participantes reviver a mesma situação mais duas vezes e mudar as suas decisões, enquanto a outra metade só pôde ‘viver’ a situação uma única vez.

Na segunda e terceira rodadas, quando dada aos participantes a escolha de intervir ou não, muitos sacrificaram uma pessoa no andar térreo para salvar as vidas dos cinco visitantes acima, principalmente, por sentimentos de culpa.

A pesquisa revelou que a viagem virtual no tempo pode ser uma ferramenta útil para o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático e outros tipos de traumas. “Nós descobrimos que, em condições de rodadas repetidas, os participantes se sentiram mais culpados quanto à decisão inicial. Ao relacionar isso com a vida real, é muito parecido com voltar atrás e mudar algumas decisões equivocadas que você tomou quando era mais novo” contou Friedman.

A conclusão central de sua pesquisa foi que a viagem no tempo poderia ajudar pessoas que sofrem de PTSD ou outro trauma, a enfrentarem os seus medos no mundo virtual e seguirem com suas vidas no mundo real.

Enquanto uma viagem no tempo de verdade continua sendo um sonho, Friedman e sua equipe de pesquisadores deram um passo a frente, rumo a um mundo no qual um par de óculos de “realidade virtual de imersão” (IVR) permite reviver e alterar o passado para melhor, pelo menos na memória.

Este estudo foi realizado por Doron Friedman e Keren Or-Berkers da Faculdade de Comunicação Sammy Ofer do Centro Interdisciplinar Herzliya, Rodrigo Pizarro e Solene Neyret da Universidade de Barcelona e Mel Slater e Xueni Pan do University College de Londres.

  Fonte e imagens: NoCamels

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