Por que o VC em Israel é um negócio em ascensão

Israel é um país de apenas 8,5 milhões de pessoas, quase a mesma população do estado de Nova Jersey, nos EUA. Mas a pequena nação na costa leste do Mar Mediterrâneo entra na categoria dos pesos-pesados quando o assunto é capital de risco, tanto é que a zona tecnológica da área costeira ganhou o apelido de “Wadi do Silício” (Wadi significa “vale” em árabe e em hebraico).

Desde o início de 2012, 4% de todos os investimentos de CR fora dos EUA aconteceram em Israel, de acordo com a PitchBook Platform. O país está em sétimo lugar no mundo, atrás apenas de China, Índia, Reino Unido, Alemanha, França e Canadá – todos eles muito maiores que Israel em termos de PIB.

Em 2015, foram realizados 326 investimentos de CR em Israel, sendo que um dos maiores deles foi uma rodada de US$ 105 milhões levantados pela empresa de software ironSource e outro foi uma rodada de US$ 60 milhões para o Fiverr, site de divulgação de trabalhos para freelancers. Aproximadamente 60% desses investimentos foram no setor da tecnologia da informação, reforçando a reputação do país como um polo de inovação da alta tecnologia.

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O número total de investimentos diminuiu um pouco em relação ao ano anterior (em 2014 foram 342), mas ao olhar o cenário como um todo, os investimentos em Israel estão claramente em crescimento. A média de investimentos de CR realizados de 2013 a 2015 foi 329, comparados aos 180 realizados nos três anos anteriores e aos 111 nos três anos antes deles. Mesmo que algumas empresas estrangeiras, como a Sequoia e a Microsoft Ventures, estejam colocando dinheiro em Israel, não há falta de investidores domésticos fortalecendo a indústria em ascensão, incluindo a Pitango Venture Capital, a Jerusalem Venture Partners e a Carmel Ventures, todas elas entre as 10 investidoras israelenses mais ativas da última década.

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Como um país tão minúsculo assumiu um papel tão grande em CR? Um dos primeiros propulsores foi os cortes de impostos que aconteceram em meados da década de 80, o que gerou um crescimento econômico e uma inflação reduzida após décadas de estagnação na sequência da fundação da nação, em 1948. Em 1993, o governo de Israel implementou o programa Yozma, que oferecia incentivos fiscais a investidores estrangeiros e se comprometia em usar fundos do governo para duplicar qualquer investimento estrangeiro em uma empresa israelense. E durante o início dos anos 2000, o governo promulgou uma série de reformas que ajudaram a abrir e privatizar o que uma vez fora uma economia mais centralizada. Essas ações, em conjunto, tornaram a nação muitos mais amigável aos investimentos de CR.

No entanto, isso não tem sentido se não houver alvos onde investir. O outro fator importante para o crescimento de Israel é a prevalência de empresas gerando ideias e produtos inovadores.

Além da ironSource e da Fiverr, figuram entre elas o aplicativo de navegação Waze (adquirido pela Google por US$ 1,15 bilhão em 2013), a plataforma de aplicativos para celulares Conduit (avaliada em US$ 1,3 bilhões em 2012) e o aplicativo de mensagens Viber (adquirido por US$ 900 milhões em 2014).

E há também a reputação do país como um centro de cibersegurança, auxiliada pelo compromisso do governo em investir em P&D militar, bem como os esforços das empresas privadas como a Check Point (NASDAQ: CHKP). Fundada em 1993, a Check Point tem sido uma fonte direta de futuros empreendedores – seus ex-alunos fundaram outras empresas de cibersegurança como a Imperva e a Tufin. Outras empresas seguiram o exemplo, incluindo a Aorato e a Adallom, as duas adquiridas pela Microsoft (NASDAQ: MSFT) pelo valor total de US$ 445 milhões. E os investimentos de CR no mercado de cibersegurança israelense nunca estiveram tão populares. Em 2015, mais de US$ 182 milhões foram investidos através de 40 investimentos – ambos recordes dos 10 anos anteriores, e ambos com um aumento de mais de 50% em relação ao período anterior.

Neste momento, o mercado de alta tecnologia de Israel passa por uma espécie de loop de retornos positivos: as empresas geram produtos e funcionários inovadores, o que, por sua vez, leva mais empresas como a Apple e a Amazon a estabelecerem escritórios em Israel, o que, por sua vez, gera novas empresas inovadoras, e assim sucessivamente.

Ninguém pode dizer com certeza como será o futuro dos investimentos em Israel. Mas considerando os últimos vinte e cinco anos, como um todo, e as últimas tendências de dados, de forma específica, a recém-chegada onda de CR não parece desacelerar tão cedo.

Fonte: PitchBook