Israel: uma nação de fintechs

Esta notícia foi retirada do site Fintechlab.

Participei de um evento de Inovação-Tech organizado pelo Israel Trade and Investment Brazil,em parceria com a FGV-EAESP no CUBO. Durante o evento, foi mencionado muito os avanços tecnológicos do país e essa cultura de empreendedorismo quase inata da população. Foi assim que decidi falar com Boaz Albaranes, cônsul do Israel para conhecer mais sobre as startups de lá e claro das fintechs.

Após a leitura do “Startup Nation” do Dan Senor e Saul Singer, fica evidente o sucesso do espírito empreendedor de Israel. Você pode nos fornecer alguns números sobre o país, o crescimento de startups e fintechs?     

Hoje, o país deve ter entre 6 e 7 mil startups. Só em 2016, foram criadas 1300. Quando você olha a percentagem de sucesso delas, os números têm mostrado que essa percentagem é superior das startups de Estados Unidos ou da Europa. Desse grupo, se estima que 400–450 startups são fintechs. Esse mercado representa 3,2 bilhões de dólares e possui mais de 14 centros de P&D. O crescimento é incredível, há dois anos eram só 90 empresas. Sem dúvida, o setor é muito dinâmico. Em 2015, 5 bilhões de dólares foram investidos em tecnologia e as exits e mergers já representam mais de 9 bilhões de dólares. 

Por que as startups israelenses são casos de sucesso?

O livro “Startup Nation” explica muito bem o espírito empreendedor do país. Ele vem muito da história e da cultura de Israel. Se considera que é uma cultura que gosta do risco e não tem medo de nada. Desde a passagem pelo exército, os jovens aprendem a ter disciplina para completar qualquer missão. Além disso, a tecnologia é um vetor importante dentro da educação das pessoas desde muito novas.

Pensando em fintechs, qual é a fórmula mágica do país para elas virarem referência no ecossistema mundial?

No caso das fintechs, além do que foi dito anteriormente, o governo desempenhou um papel chave. Desde há 7-6 anos atrás, o governo percebeu a força tecnológica do país e viu o potencial do setor financeiro. Ele contatou institutos financeiros mundiais, centros de Pesquisa e Desenvolvimentos, bancos como o Citi e o Barclays para eles virem e se instalarem no país. Esses atores trouxeram o know-how da indústria financeira e adquiriram o conhecimento tecnológico do ecossistema local. Assim, os israelenses que trabalhavam com eles poderiam sair dessas empresas alguns anos depois e criar suas próprias fintechs. As consequências desse fenômeno, levaram aos números atuais de fintechs no país.

Diante desse crescimento, como que os bancos israelenses interagem com as fintechs (compram, criam aceleradoras, parcerias…)?

Bancos israelenses apóiam as iniciativas de fintechs porque com elas reduzem custos e criam experiências melhores para os seus clientes. Em Israel, existem 2 bancos maiores, Hapoalim e Leumi, assim como Bradesco e Itaú aqui no Brasil. Esses dois bancos têm criado centros de inovação e tecnologia importantes para poder cooperar com elas, seguindo assim o exemplo dos bancos internacionais.

O governo como se está comportando agora?

O governo ainda tem uma cultura burocrática pela natureza mas está ajudando os novos players do mercado a se posicionarem. Por exemplo, recentemente aceitou a lei dos anjos investidores, que permite deduções na declaração de impostos quando investirem em startups.

Tel Aviv é a cidade das fintechs ou tem outros pólos no país que estão crescendo?

Tel Aviv é muito conhecida como cidade de fintechs mas, na realidade, é toda a região do centro do país que está se especializando. Aliás, o pais é pequeno então é rápido recorrer outras com centros tecnológicos importantes como Jerusalém e Yokneam Illit.

Tem algum segmento que está em alta no setor de fintechs em Israel?

Tem vários setores fortes de fintechs que estão surgindo, como por exemplo meios de pagamentos, robot advisors, empréstimos. Recentemente, blockchain é o que está crescendo mais. O setor de segurança e antifraude sempre foi forte no país. Um segmento novo que está se consolidando é a assinatura biológica (reconhecimento da pessoa em função dos costumes de comportamento). Algumas fintechs que gosto de nomear são: Sling, por trazer soluções interessantes para o mercado de pequenas e médias empresas (aliás a Sling foi comprada pela Avante, uma startup brasileira); Payoneers que faz transferências internacionais; e Biocatch que justamente representa a nova onda de assinatura biológica.

Quais são os próximos desafios das fintechs no Israel?

Ainda o processo de integração com as grandes instituições é devagar. A burocracia dos bancos dificulta uma integração rápida com as startups. Muitas das startups em Israel já estão numa fase madura e precisam passar para o próximo estágio procurando escalabilidade internacional.

O que as fintechs brasileiras podem aprender com as fintechs israelenses?

As fintechs israelenses não têm o que ensinar específicamente às fintechs brasileiras porque o contexto dos dois países é muito diferente. Porém é interessante criar uma troca um com o outro. O caso da Avante(Brasil) e do Sling(Israel) é um exemplo de como elas podem aprender juntas enfrentando desafios novos e conseguindo transferir conhecimentos para as duas partes.

Para se despedir, Boaz nos faz lembrar que a missão de Israel Trade and Investment é de facilitar essa comunicação entre os dois países. Startups ou grandes empresas que tiverem perguntas sobre o trabalho ou estiverem interessados nas atividades da Israel Trade and Investment podem contatar eles em todo momento. Finalmente, Boaz mencionou que o objetivo principal deles é de ajudar a construir mais pontes entre os dois países para criar impacto e crescimento.

O Israel Trade and Investment Brazil organizou uma semana de imersão em Israel que está acontecendo agora, com participação no evento Bank Innovation Israel, que conta  com a presença de líderes globais que estão desenvolvendo soluções inovadoras no mundo de fintechs. Além disso, reuniões B2B foram organizadas com atores israelenses chaves para conhecer mais o ecossistema de fintechs israelense.

Autoria: Denisse Cuellar

Share on LinkedInShare on FacebookTweet about this on TwitterEmail this to someoneShare on Google+