O “Case” do Esporte em Israel

Esta notícia foi escrita por Maureen Flores e retirada do Jornal O Globo

O desenvolvimento de tecnologias para o esporte deixou de ser uma atividade do interesse de poucos e transformou-se em um segmento obrigatório para atletas de ponta. Em 2015, o investimento em inovação no esporte, na forma de capital de risco, totalizou US$ 2,5 bilhões. O epicentro dessa atividade acontece nos Estados Unidos e, tanto lá como em outros países que investem pesado no segmento — Holanda, Austrália , Espanha e Alemanha —, a regra comum é a ênfase dada a presença da elite nacional do esporte no pódio global. 

Entretanto, a regra tem exceção: Israel. Esse país, sem tradição esportiva e pouco interessado no assunto, produziu em dois anos 95 startups premiadas que rapidamente dominaram o mercado. Parte dessas iniciativas, 41, levantaram US$ 380 milhões em capital de risco no mercado internacional.

A Regra 1 da inovação no esporte diz que, como primeiro passo, países investem no desenvolvimento de iniciativas voltadas para performance dos times nacionais geralmente incentivados pela realização de megaeventos. Israel apostou pesado no desenvolvimento de tecnologias voltadas a indústria do entretenimento e nela incluiu o esporte. O objetivo foi criar uma nova forma de o espectador interagir com o esporte. Como funciona? Um exemplo: sabe aquelas setas e linhas que aparecem na tela da sua televisão desenhando contornos ao redor de um jogador ou repetindo a trajetória de uma determinada jogada? Pois bem! Essas são funcionalidades de softwares, em geral, da empresa Virtz, que exporta para todo o mundo, inclusive para o Brasil. Recentemente, a FreeD, uma empresa com pouco mais de três anos, foi adquirida pela Intel por US$ 175 milhões. Sua tecnologia permite ao fã rever suas imagens favoritas em 3D e em vários ângulos. É simples entender o motivo que levou o país a priorizar o desenvolvimento de soluções para as transmissões televisivas: basta olhar os números e constatar que, em 10 anos, somente a comercialização dos direitos de transmissão do futebol francês, alemão e inglês duplicou de valor.

A Regra 2 diz que o desenvolvimento de soluções computacionais voltadas ao aperfeiçoamento tático do futebol desafiaria cientistas pois, reza a lenda, o esporte apresenta um menor número de restrições aos seus jogadores em relação ao basquete ou ao vôlei e, por esse motivo, ofereceria um número muito maior de combinações matemáticas possíveis. Certa ou errada, a discussão, que estaria ultrapassada em tempos de big data, não impressionou os sócios israelenses da IntelligentGym, que foram além, analisaram o jogo e entenderam seus jogadores como pessoas altamente qualificadas que tomam decisões rápidas em situações de risco; assim, inspiraram-se em simuladores de voo para criar softwares para treinamento tático especializado. Sensacional!

 Regra 3 diz que os investimentos em inovação no esporte são liderados em seu início por políticas públicas que fomentam a formação do ecossistema; depois, por grandes times, como por exemplo o fundo Courtside Venture, do Cleveland Cavaliers, ou a aceleradora (empresas que facilitam o lançamento de startups no mercado) do Los Angeles Dodgers. Em Israel, a política pública de inovação divide o risco com o empreendedor. Se der certo, o empreendedor devolve o investido pelo Estado, se der errado, todos perdem. Entretanto, agora, com o sucesso das iniciativas locais no setor, foi criado o Homerun Ventures, o primeiro fundo privado especializado em esporte, com capital de US$ 30 milhões, que tem entre seus fundadores um empresário especializado em financiar startups e um membro do Comitê Olímpico Internacional quem integra a Comissão de Coordenação para os Jogos de Tóquio-2020.

Há várias outras “regras” que foram quebradas por esse país que criou o Waze e depois vendeu para o Google por US$ 1, 3 bilhão. No caso específico do esporte, é inegável que a competência técnica instalada nas áreas de big data, computação gráfica, inteligência artificial e internet das coisas são de grande importância para o sucesso das startups. Alguns estudiosos também citam a formação militar como um componente de destaque no DNA das empresas, assim como a capacidade local de analisar um problema comum sob uma nova ótica. Há mais que isso! O Brasil tem competência instalada em exatas e em computação; tem um terço das suas medalhas dentro das Forças Armadas; e possui centros de excelência nessas áreas específicas do conhecimento dentro do aparato militar. Entretanto, ainda não consolidamos nosso ecossistema digital do esporte.

Conversando com amigos, não pude deixar de perceber uma ponta de orgulho ao narrarem a vitória do Hapoel Be’er Sheva sobre o Inter de Milão no ano passado. Creio que em Israel, a chave do sucesso é que negócios são negócios, e paixões são à parte.

O Israel Trade & Investment organizará uma delegação brasileira para participar do maior evento de tecnologia do esporte em Israel, o Future Sport Israel 2017, que ocorrerá entre 26-28 de Junho em Tel-Aviv.

Caso tenha interesse em receber mais informações acerca deste ou outros eventos, favor entrar em contato por meio dos e-mails e telefones indicados abaixo:

[email protected] | (21) 3259-9148

[email protected] | (11) 3095-3111

Fonte: O Globo 

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