Tecnologia de combustível a gás israelense poderia impulsionar futuros carros do grupo Fiat Chrysler

A iniciativa de combustíveis alternativos de Israel está sendo negociada com alguns dos maiores fabricantes de veículos do mundo para ajudar a desenvolver combustíveis baseados em gás.

Os preços do petróleo estão baixos agora, mas não há garantia de que permanecerão nesse patamar. No longo prazo, desenvolver combustíveis alternativos continua sendo uma prioridade de governos, start-ups e indústrias de automóveis, que vendem mais veículos quando o combustível que os abastece está mais barato.

É com esse objetivo que a Iniciativa de Escolha de Combustível de Israel (IFCI, na sigla em inglês), um projeto do escritório do primeiro-ministro, assinou nesta semana um memorando de entendimento não vinculativo com a Fiat Chrysler Automobiles (FCA), a Iveco (marca da CNH Industrial) e a Magneti Marelli (FCA Group) para cooperação no desenvolvimento de tecnologias baseadas em gás natural, desenvolvendo combustíveis para carros, caminhões e ônibus.

Lançada em 2011, a IFCI busca tornar Israel um líder em energias alternativas para transporte, o que inclui desenvolver tecnologias elétricas, de biocombustível, hidrogênio, gás natural e outras soluções de combustível para veículos.

O grupo inclui representantes de nove ministérios de governo. E Eyal Rosner, chairman e diretor da IFCI, é uma espécie de “padrinho”, coordenando as atividades, o financiamento e o desenvolvimento de tecnologias como células de combustível, veículos elétricos, híbridos, veículos abastecidos com biodiesel, combustível de etanol/metanol e até algas.

Enquanto existem alternativas para produção de eletricidade – o plano do governo, que atualmente está atrasado no cronograma, é que 10% a 20% da energia elétrica do país seja gerada a partir de fontes de combustíveis não fósseis até 2020 –, a gasolina refinada a partir do petróleo tem um quase-monopólio como combustível de transporte: 96% dos veículos no mundo são abastecidos com motores a gasolina. Para muitos países, o petróleo para transporte representa uma grande fatia do PIB (o petróleo responde por cerca de 20% das importações totais de Israel) e estima-se que seja a fonte de quase 25% dos gases do efeito estufa.

Portanto, há boas razões para o mundo se interessar por combustíveis alternativos – e a IFCI busca transformar Israel em um centro desse esforço. “Pretendemos usar as forças de Israel, assim como o potencial de pesquisa e a excepcional cooperação entre órgãos de pesquisa acadêmica e indústria”, diz o plano estratégico do grupo, referindo-se ao objetivo de transformar o país em uma vitrina do desenvolvimento e uso de combustíveis alternativos. “Para dar início ao desenvolvimento de soluções e catalisar uma ação global em direção a combustíveis alternativos, estamos transformando Israel em um centro de testes, o que, junto com a atividade tecnológica no país, atrairá parceiros de todo o mundo. A cooperação internacional é um componente importante de nossas atividades. A superação de um problema em escala global exige colaboração”, afirma o grupo.

E, apesar do investimento anterior de Israel em veículos de combustíveis alternativos – segundo especialistas, o experimento Better Place se desintegrou porque a empresa de veículos elétricos israelense tomou várias decisões erradas de marketing, produção e gestão –, o mundo não deixou de apostar na tecnologia israelense para combustíveis alternativos.

Um bom exemplo é a bateria de alumínio e ar Phinergy para veículos elétricos, que resolve o principal desses veículos – a curta extensão de viagem possibilitada pelas baterias até a necessidade de recarga. A bateria Phinergy permite um alcance três vezes maior em relação a um veículo elétrico convencional e pesa muito menos que as baterias convencionais.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua viagem a Israel em 2013, avaliou a tecnologia Phinergy e recomendou que a empresa entrasse em contato “com a Ford ou a GM sobre isso”.

No novo acordo, a IFCI se coordenará com a Fiat Chrysler, a Iveco e a Magneti Marelli para desenvolver combustíveis baseados em gás natural. As partes também estão discutindo a possibilidade de estabelecer um programa ampliado de cooperação em pesquisa e desenvolvimento que envolva empresas israelenses nas áreas relacionadas a combustíveis alternativos e outras atividades relacionadas à indústria automotiva. As organizações discutirão prazos e detalhes em reuniões nos próximos meses, enquanto negociam um acordo final.

De acordo com a IFCI, seus novos parceiros “estão fortemente comprometidos a reduzir o impacto ambiental do transporte em estradas, e esse é um pilar fundamental de suas políticas de sustentabilidade”.

Fonte: The Times of Israel