O panorama cibernético israelense em 2021: de qual setor irão emergir os novos unicórnios?

Mais de 120 grandes empresas privadas conseguiram figurar no mapa “Israeli Cybersecurity Technology Landscape 2021”, compilado pelo fundo de capital de risco Glilot Capital Partners  e pela firma de pesquisa e análise do segmento, IVC. O trabalho se divide em 14 sub-setores, incluindo: segurança da nuvem, segurança web, segurança de e-mail, IoT e sistemas de controle industrial, segurança de blockchain, proteção de privacidade e dados, operações de segurança e inteligência contra ameaças, segurança para aplicativos, administração de identidade e acesso, e proteção a trabalhos, entre outras.

Em entrevista ao site CTech, foi dito por Kobi Samboursky, fundador e um dos diretores da Glilot Capital Partners, que “2020 foi um ano insano, que começou com preocupações que o setor cyber seria prejudicado pela pandemia do Covid-19, pois seus produtos são vendidos a empreendimentos, e quando empreendimentos estão passando por dificuldades, mesmo se seu produto for bom, ele também sofrerá. E, de fato, o segundo quadrimestre foi desafiador, mas rapidamente se percebeu que a indústria cibernética estava indo bem como um todo, recebendo ainda um importante impulso na segunda metade do ano”.

Kobi descreve Israel como um dos principais superpoderes do cyber em todo o mundo, pois abriga empresas pioneiras em seus setores que viram um crescimento de 70% em investimentos no ano maculado pela pandemia, principalmente como reação ao aumento na demanda por sistemas de proteção de dados contra crescentes ataques cibernéticos. “Estimamos que no próximo ano, algumas das empresas da lista se tornarão unicórnios, enquanto outras irão virar referências em seus segmentos”, disse ainda o entrevistado.

De acordo com Samboursky, dois sub-setores adicionais que valem a pena seguir devido a seu rápido crescimento nos últimos dois ou três anos são cyber-serviços e SME (pequenos e médios empreendimentos). Isto porque, “já que cyber é um campo tão complexo, é necessário um elemento de serviço devido a escassez de funcionários capazes de executar as tarefas necessárias. Em alguns casos, até grandes empresas norte americanas não possuem times de segurança. Por este motivo, a indústria está criando modelos de cyber-serviço para situações em que simplesmente adquirir o produto protetivo não basta, e se precisa de um modelo adequado às necessidades de organizações em crescimento”. Nota ainda que em termos do tamanho do mercado, a divisão entre produtos e serviços é equiparável, com cada um representando cerca de U$27 bilhões por ano. Entretanto, existe menos inovação no campo de serviços, havendo ampla oportunidade para desenvolvimento.

Quando se trata de SME’s, Samboursky resslata que apesar do cyber haver se integrado bem com grandes empreendimentos na última década, onde oferece uma gama de soluções, quando se trata de empresas menores, frequentemente estas não possuem seus próprios times, dependendo de profissionais do TI pra executar as tarefas. Ao mesmo tempo, empresas de médio-porte têm se tornado um alvo frequente de hackers, e as ferramentas defensivas que foram desenvolvidas nos últimos seis ou sete anos não consideram suas necessidades específicas. Por este motivo, acredita que nos próximos anos surgirão muitas soluções especializadas para o mercado SME.

Outra tendência identificada por Samboursky é o fenômeno do “shift left”, onde o fator segurança adentra o produto mais cedo no processo de desenvolvimento. Segundo ele, “Shift left é essencialmente uma palavra-chave para o fenômeno em que desenvolvedores se envolvem cada vez mais com operações, testes e segurança, onde tradicionalmente não se emiscuiam. Todo programador ou pequena equipe de programadores opera de forma independente, usando seus próprios recursos em uma rede do procedimento de desenvolvimento, e como parte disso são responsáveis também pela segurança. De repente, todas as ferramentas de proteção precisam dar as respostas necessárias, nascendo uma nova espécie de produto para segurança. Os programadores são mais importantes porque tomam as decisões, mas conhecem menos o setor, então as ferramentas devem invariavelmente ser ajustadas para eles.”

A empresa Glilot Capital Partners foi fundada em 2011 por Samboursky e Arik Kleinstein, aos quais mais tarde se juntaram Nofar Amikam e Lior Litwak. O fundo administra U$500 milhões e recentemente lançou a Glilot+, um fundo de crescimento de U$170 milhões focado em empresas de software e cyber. Samboursky ressalta que apesar da segurança em nuvem ser parte da indústria já há uma década, o campo ainda está engatinhando em direção ainda incerta. Hoje em dia, acredita que já seja possível ter uma ideia do rumo que será seguido, não apenas entre investidores mas também empreendedores. Acredita o investidor que “as empresas perceberam a significância crescente do cyber depois da mudança para o home office, que trouxe novos desafios. Empresas que teriam esperado alguns anos foram forçados a fazer a transição ao mundo totalmente virtual, com o setor promovendo concomitantemente a mudança física de data centers para a nuvem e o crescimento do SaaS, que essencialmente substitui o TI organizacional e desenvolvedores de anúncios, que se tornam o novo público a quem a indústria deve se acostumar e adequar”.

Fonte: CTECH