A capital mundial da cybersegurança

O complexo de desenvolvimento de cybersegurança CyberSpark de Beersheva ganha destaque com empresas internacionais buscando o conhecimento israelense.
Cyberataques estão atualmente mudando para ataques sob medida, projetados para grupos ou organizações específicos. Imagem via Shutterstock

Não é segredo que os mais recentes programas de cibersegurança e ciberdefesa são codificados em Israel.

Na verdade, no começo de 2014, figuras multinacionais como IBM, Cisco, EMC, Lockheed Martin RSA e Deutsche Telekom todas anunciaram planos de estabelecer instalações de ciberpesquisa no CyberSpark, o novo parque de tecnologia de cibersegurança de Israel, em Beersheva.

O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu revelou a instituição do novo cibercomplexo nacional na cidade de Neguev, na conferência Cybertech em Tel Aviv – onde cerca de 450 chefes de indústrias e agências de cibersegurança do mundo todo vieram ver uma exibição das empresas e startups de segurança israelenses.

Dois anos depois da fundação da Agência Nacional de Computação e Internet de Israel (INCB), Netanyahu previu que Beersheva “não apenas seria a cibercapital de Israel, mas também um dos locais mais importantes na área da cibersegurança no mundo”.

“Observando a inovação que Israel gerou nos últimos anos, especialmente em cibersegurança, sabemos que se trata de uma área de foco crescente e queremos fazer parte dela”, diz o executivo de proteção de infraestrutura da Verizon, Sean Paul McGurk, ao ISRAEL21c, explicando por que viajou a Tel Aviv.

A quantidade de empresas de ciberdefesa israelenses aumentou de algumas para mais de 220 nos últimos poucos anos, de acordo com o Centro de Pesquisa IVC, sediado em Tel Aviv. Isso é cerca de 5 a 10% dos US$ 60 bilhões a US$ 80 bilhões anuais do mercado de cibersegurança, diz o Diretor da INCB, Eviatar Matania.

Dois outros fatos notáveis: 78 empresas de cibersegurança israelenses levantaram US$ 400 milhões desde 2010; e cerca de 20 empresas multinacionais agora operam centros de desenvolvimento de segurança online em Israel (metade das quais foram estabelecidas de 2011 para cá).

“Computação e internet é um grande motor do mercado israelense”, o VP de P&D da Theta-Ray, Ronen Lago, diz ao ISRAEL21c. “Temos a criatividade para descobrir novas tecnologias”.

Soluções futuristas

“A coisa mais interessante que está acontecendo agora não é o compartilhamento de informações históricas sobre ataques, mas na verdade a elaboração de tecnologias que preveem o novo tipo de ataque de acordo com a segurança pró-ativa”, diz Gadi Tirosh, gerente-geral da Jerusalem Venture Partners (JVP), ao ISRAEL21c. “Não se trata apenas de se defender dos ataques do passado, mas realmente prever os ataques do futuro”.

Observando a conferência foi possível sentir essa atividade em andamento. Havia 75 startups expondo as próximas tecnologias essenciais.

“O que temos visto no mercado de cibersegurança nos últimos dois ou três anos é uma mudança de um conjunto completamente novo de ataques. Não se trata de ataques graduais, como vimos no passado, mas de ataques com mísseis, ataques sob medida, que são feitos para atingir uma organização ou grupo em particular, às vezes até indivíduos específicos. Para lidar com esse tipo de ataque, é necessário um conjunto completamente novo de tecnologias, e é nisso que todas essas startups estão se empenhando”, diz Tirosh.

A partir da esquerda, John D. Evans, vice-presidente para inovação de atividades na Lockheed Martin; Dr. Rivka Carmi, presidente da Universidade Ben-Gurion; Orna Berry, gerente-geral do Centro de Excelência EMC em Israel; e o prefeito de Beersheva, Ruvik Danilovich. Foto de Coby Kantor

“Uma das melhores partes da conferência foi o centro de inovação das novas empresas, pois é possível ver uma porção de tecnologias sendo trazidas ao mercado de maneira rápida”, diz McGurk, que descobriu as abordagens de cibersegurança “incrivelmente inovadoras” de Israel quando trabalhou no Departamento Norte-Americano de Segurança Interna antes de se juntar à Verizon.

“Israel é crucial para a criação dessa capacidade, e isso é algo do qual queremos fazer parte”.

Figuras mundiais na cibersegurança israelense

Com ataques direcionados a instituições israelenses diariamente, o país não teve escolha senão se impor e revolucionar a área da cibersegurança.

Como Netanyahu disse aos participantes da conferência em janeiro, em Tel Aviv: “A combinação de exigências militares e de segurança, instituições de pesquisa, espaço pequeno, cultura e necessidade de sobrevivência produziram essa mistura especial que torna Israel uma sociedade marcante, que produz habilidades marcantes na área de computação e internet”.

Netanyahu e Matania, da INCB, incentivaram estrangeiros a colaborar e investir na crescente indústria de ciberdefesa do país.

“Computação e internet não têm passaporte”, diz McGurk. “Assim, você pode estar em qualquer lugar do mundo e causar impacto em um ciberdomínio. É realmente importante trabalhar de forma colaborativa – não apenas governos, mas também indústrias de todos os lugares, para alcançar as soluções necessárias para proteger as redes”.

IBM no Neguev e em Tel Aviv

A IBM está trabalhando com a Universidade Ben-Gurion de Neguev para estabelecer um Centro de Excelência para Segurança e Proteção de Bens e Infraestrutura.

“Nossos investimentos e história rica de liderança de patentes estão ajudando nossos clientes a dar segurança e proteger seus dados e sua infraestrutura na era atual de grandes dados e computação em nuvem”, diz Steve Mills, vice-presidente sênior e executivo de grupo da IBM Software & Systems. “Nossa parceria com a Universidade Ben-Gurion ajudará a estender a inovação não apenas em Israel, mas também no mundo todo”.

Em 2013, a IBM adquiriu a empresa de cibersegurança israelense Trusteer e inaugurou o IBM Cybersecurity Software Lab em Tel Aviv. Aqui, mais de 200 pesquisadores e desenvolvedores da Trusteer e da IBM focam em segurança móvel e de aplicações, ameaças avançadas e malware, combate a fraudes e crimes financeiros.

De maneira parecida, a Cisco Systems – uma das empresas multinacionais de tecnologia mais ativas em Israel – investirá US$ 60 milhões no fundo de cibersegurança de US$ 120 milhões do capital de risco israelense da JVP.

“O Diretor-Presidente da Cisco, John Chambers, está pessoalmente comprometido em tornar Israel o primeiro país digital. Estamos trabalhando junto com o governo e estamos bastante empolgados com o que estamos fazendo em termos de educação, saúde e computação”, diz Bryan Palma, vice-presidente sênior de serviços de segurança da Cisco, ao Haaretz.

Em sua entrevista ao periódico israelense, Palma disse que a IBM está contratando consultores de segurança israelenses e está trabalhando com o governo e startups para criar um laboratório de tecnologia de cibersegurança por meio de investimentos estratégicos feitos com a JVP.

Tirosh, da JVP, diz ao ISRAEL21c que empresas estrangeiras “estão investindo em Israel porque reconhecem o talento que há aqui e reconhecem que é onde a ciberinovação está acontecendo. A própria conferência Cyber Tech foi uma prova incrível do volume de interesse que este país está atraindo em termos de cibersegurança e ciberdefesa”.

Fonte: ISRAEL21c