Aplicativo israelense usado pelo Facebook para lidar com terrorismo

O Status de Segurança, utilizado pelos parisienses para verificarem a segurança uns dos outros em meio aos ataques de terror, é um dos projetos da “Internet do Bem” do Facebook Israel

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“Durante as 24 horas após o ataque terrorista, 4,1 milhões de pessoas verificaram a segurança de amigos e parentes utilizando o Status de Segurança do Facebook, uma tecnologia desenvolvida pelo departamento de pesquisa e desenvolvimento do Facebook Israel”, afirma um porta-voz do Facebook Israel. “Um total de 360 milhões de pessoas recebeu mensagens informando que seus entes queridos estavam em segurança”.

O Status de Segurança é um recurso ativado pelo Facebook diversas vezes no passado, normalmente para desastres naturais. Durante os ataques a Paris, foi utilizado pela primeira vez para permitir que as pessoas “realizassem check in” e informassem aos outros sobre sua segurança em um cenário de ataque terrorista. O Facebook fez uma declaração em resposta à crítica generalizada nas redes em relação à não utilização do serviço em ataques terroristas anteriores, em lugares como Bagdá, Beirute e Kabul.

De acordo com Alex Schultz, vice-presidente de Crescimento do Facebook, “Optamos por ativar o Status de Segurança em Paris porque observamos uma grande atividade no Facebook conforme os eventos se desenrolavam. Em meio a uma situação complexa e incerta que afeta tantas pessoas, o Facebook tornou-se um lugar em que as pessoas estavam compartilhando informações e buscando entender a condição de seus entes querido. Essa ativação vai mudar nossa política em relação ao Status de Segurança e ao momento de ativá-lo para outros incidentes graves e trágicos no futuro. Queremos que essa ferramenta esteja disponível quando e onde puder ser útil”.

Para a equipe especial do Facebook Israel, Adi Sofer-Te’eni e Ro’i Tiger – respectivamente, os chefes dos assuntos mercadológicos de Israel e de pesquisa e desenvolvimento –, o Status de Segurança é parte do compromisso da empresa em utilizar a internet para fazer o bem.

“É um conceito do qual Mark (Zuckerberg, Diretor-Executivo do Facebook) havia falado. Para nós, é ótimo poder acordar pela manhã e não somente realizar um trabalho desafiador, mas um trabalho que, sabemos, está ajudando as pessoas ao redor do mundo”, afirmou Tiger. “O Facebook tornou-se uma espécie de praça pública utilizada por mais de um bilhão de pessoas, então, poder alavancar a plataforma a fim de permitir que as pessoas tenham a garantia de que seus entes queridos estão em segurança é algo de que temos muito orgulho em participar”.

Em uma recente entrevista coletiva no centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Facebook em Tel Aviv, Sofer-Te’eni e Tiger discutiram o Status de Segurança e outros projetos em que o centro de Pesquisa e Desenvolvimento israelense havia trabalhado. Uma versão anterior do Status de Segurança foi utilizada no Japão após o desastre nuclear de Fukushima, em 2011. Uma versão aprimorada foi então desenvolvida em Israel, e o aplicativo foi oficialmente lançado em seu formato atual em outubro de 2014. Desde então, foi ativado em diversos desastres naturais, inclusive durante os terremotos de maio de 2015 no Nepal e durante um terremoto no Afeganistão em outubro.

“É um projeto positivo que nos orgulha de vir trabalhar todos os dias” disse Tiger. “Para nós, a ideia de tomar a tecnologia e dar a ela um aspecto moral é importante”.

Entre os projetos de “fazer o bem”, o Facebook Israel está se concentrando no projeto Internet.org do Facebook, que oferece acesso gratuito a serviços básicos da internet nos países em desenvolvimento. “Temos desenvolvido aplicativos para a plataforma e, neste momento, eles estão sendo implantados por pessoas nas Filipinas, na Índia, em Gana e em muitos outros lugares”, afirmou Tiger.

O projeto é desenvolvido para permitir que bilhões de pessoas sem acesso à internet explorem a rede utilizando seus celulares, disse Tiger. Muitas pessoas em lugares como a Índia e a África possuem telefones celulares, mas certamente não são os iPhones e os Samsung Galaxies utilizados pela maioria dos ocidentais. Ao contrário, são dispositivos simples que podem oferecer acesso online, mas a altos custos, devido à conectividade ruim em diversas áreas. Com os aplicativos em desenvolvimento pelo Facebook, os usuários poderão ter um envolvimento mais ativo na Internet mantendo baixos custos.

Um importante modo de manter baixos custos é manter os custos de conexão reduzidos, exatamente o que a Onavo estava fazendo quando o Facebook adquiriu a empresa, em 2013. O aplicativo Extend, da Onavo, permite que os usuários obtenham cinco vezes mais navegação e acesso a redes sociais e exibição de vídeos, no serviço oferecido na largura de banda limitada a que a maioria dos usuários foram forçados a aderir em 2011, quando foi lançado o aplicativo. Desde então, os preços foram reduzidos nos países ocidentais de maneira suficiente a permitir que muitos usuários adquirissem planos de dados ilimitados; deste modo, ‘espremer’ os dados para que se adequassem aos míseros um ou dois gigas de conectividade que os provedores de serviços móveis ofereciam aos clientes já não era mais necessário.

Porém, nesse mundo em desenvolvimento o tipo de economia de dados desenvolvido pela Onavo – agora Facebook Israel – será muito útil, afirmou Tiger.

Fonte: Times of Israel