Entre os melhores de 2014: vinhos israelenses atingem a maturidade

Pergunte a alguns consumidores de vinho a que remetem os “vinhos israelenses”, e muitos descreverão uma doce e pegajosa mistura servida durante um típico bar mitzvah (cerimônia que marca a emancipação dos meninos judeus). De fato, durante o primeiro século e meio da rejuvenescida indústria de vinhos da Terra Sagrada, os vinhos adocicados foram a marca característica.

Mas tudo isso mudou. País reconhecido por sua inovação e tecnologia, Israel agora é um produtor de vinhos de classe mundial louvado por conhecedores do assunto em todo o mundo.

Hoje, existem em Israel mais de 300 vinícolas de alta qualidade que variam de pequenas lojas especializadas familiares a grandes produtores de vinhos. A nova classe de vinícolas israelenses está espalhada por todo o país, desde as Colinas de Golan cobertas de neve, no norte, até as arenosas regiões do Deserto do Neguev, no sul. Há vinícolas de kibbutz (fazenda coletiva), vinícolas urbanas, vinícolas dirigidas por judeus ultraortodoxos, árabes, monges cristãos e freiras – todas para uma variedade de paladares e gostos.

Nos anos 1990, a produção de vinhos, que era tipicamente formada 70% por vinhos brancos e 30% pelos tintos, passou a ser 60% de tintos e 40% de brancos, refletindo novas preferências. Produtores e consultores internacionais chegaram para melhorar a qualidade geral – sugerindo tipos de uvas a serem cultivadas, onde plantar e como produzir vinhos de classe mundial.

O segredo, é claro, está no terreno local. Do solo vulcânico e do basalto negro das Colinas de Golan ao ar revigorante e às pronunciadas encostas da Alta Galileia, aos íngremes e nevoentos montes da Judeia e aos obstinados vinhedos do Deserto do Neguev, os vinhos israelenses variam em características na mesma proporção das variações climáticas do país.

Com a ajuda de alguma tecnologia inventiva, os vinicultores demonstraram um supremo talento em produzir variedades clássicas: Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Syrah, Sauvignon Blanc e inúmeros blends (misturas de uvas diferentes).

Os apreciadores de vinhos em todo o mundo estão atentos. Das 36 milhões de garrafas produzidas por ano em Israel, o equivante a cerca de US$ 30 milhões é exportado, principalmente para Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Polônia, Alemanha e Holanda.

Essa explosão de vinícolas cada vez mais sofisticadas também deixou sua marca em competições internacionais. Neste mês, o Recanati Cabernet Sauvignon Galilee 2012 superou outros 18.000 vinhos de todo o mundo e foi incluído na prestigiada lista “Melhores Vinhos de 2014”, da revista Wine Spectator – e isso apesar de o Recanati, vendido no varejo a US$ 17 a garrafa, ter competido com vinhos de mais de US$ 100.

A seguir, um panorama de alguns dos produtores e vinícolas que estão por trás da revolução do vinho em Israel:

Considerado um especialista mundial em enologia e viticultura, o professor Ben-Ami Bravdo, da Universidade Hebraica, levou sua experiência da sala de aula para os vinhedos. Em 2001, com o professor de bioquímica Oded Shoseyov, ele fundou a vinícola Karmei Yosef, localizada ao pé dos montes de Jerusalém. Com sua seleção de vinhos homônimos “Bravdo” (cuja variedade Shiraz venceu a medalha de ouro no Campeonato Mundial de Vinhos de Chicago de 2012), esse projeto é pioneiro no uso de antigas técnicas e locais de cultivo de uvas combinados à ciência de ponta israelense. “O vinhedo Karmei Yosef é como meu próprio laboratório pessoal de pesquisa”, diz Bravdo.

Yair Margalit é outro químico que virou produtor de vinhos. Muitos atribuem à sua Vinícola Margalit o feito de ajudar a impulsionar a febre das butiques de vinho em Israel. Especializada em blends de vinhos tintos de Bordeaux, a Margalit é uma das quatro vinícolas israelenses a obter mais de 90 pontos na publicação Wine Advocate, de Robert Parker (ao lado de Clos de Gat, Yatir e… Domaine Du Castel).

A própria Domaine Du Castel foi fundada em 1983 pelo egípcio educado na Grã-Bretanha Eli Ben-Zaken, que sonhava em produzir vinhos na antiga Terra de Israel. Seu objetivo era simples – fazer vinhos entre os melhores do mundo.

Outros notáveis vinhos israelenses para se arrebatar das prateleiras:

Flam – Aninhada entre as baixas colinas da Judeia, a Vinícola Flam está situada entre o rio Kisalon e a floresta de Kedoshim. A vinícola opera no clássico modelo europeu de empresa familiar.

Château Golan –  A Château Golan combina as tradições europeias com a tecnologia e o conhecimento modernos para produzir um dos mais aclamados vinhos finos de Israel.

Bat Shlomo Vineyards – Fundada pelo empresário de alta tecnologia Eli Wurtman, cujo espírito pioneiro o levou a replantar os vinhedos de Bat Shlomo, originalmente cultivados nos anos 1800 com a generosa ajuda do grande benfeitor barão Edmond de Rothschild. O vinho leva o nome da baronesa Betty Salomon de Rothschild, mãe do barão, beleza famosa e um dos principais patronos das artes em Paris no século 19.

Sea Horse Winery– Localizada em uma fazenda ao sul de Jerusalém, a Sea Horse cultiva as uvas Syrah e Zinfandel desde 2000. Os vinhos dessas variedades levam os nomes de personalidades como Gaudi, Camus, Fellini e Lennon.

Embora esses e muitos outros vinhos israelenses possam ser novatos na lista de libações deleitáveis, a produção de vinho certamente não é nova na região. De fato, há muitas referências ao vinho e a sua produção em toda a Bíblia, e a antiga terra de Canaã – como é conhecida a Terra Sagrada – foi na verdade uma das primeiras a produzir vinho, mais de 2.000 anos antes de a bebida chegar à Europa.

Descobertas arqueológicas recentes no norte israelense indicam que o vinho é produzido na região há pelo menos 4.000 anos. Análises químicas de antigas jarras de argila descobertas lá revelam indícios de mel, terebintina, óleo de cedro, junípero e possivelmente menta, murta e canela, tudo acrescentado à mistura dos primeiros produtores de vinho.

Embora a antiga técnica de esmagar uvas com os pés tenha sido abandonada, os modernos vinicultores de Israel têm certeza de que a tradição da excelente produção mediterrânea de vinhos melhora a cada dia.

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