Empresa israelense de agrotecnologia elimina insegurança alimentar

A Evogene pratica a arte da genômica vegetal para garantir suprimentos adequados de alimentos, ração animal e combustíveis para uma população mundial em crescimento.

A modificação genética de plantas e lavouras ainda levanta suspeitas para muitos grupos de consumidores e legisladores, mas os OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) estão lentamente abrindo caminho nas áreas alimentar e agrícola. Futuramente, dizem seus defensores, os OGMs se tornarão uma ferramenta essencial para garantir que todos tenham o que comer.

A Evogene, empresa israelense, é uma das empresas que estão aplicando tecnologia de OGMs para melhorar a qualidade e produtividade das lavouras. Através de sua plataforma PointHit, a empresa de biotecnologia utiliza uma quantidade maciça de dados para analisar moléculas de ervas daninhas e identificar as principais macromoléculas vegetais responsáveis pelos principais processos biológicos dessas pragas. Ao se concentrar nesses processos, a Evogene – ou empresas que possuem licenciamento para a sua plataforma – conseguirá desenvolver herbicidas com maior eficácia na eliminação de ervas daninhas.

Esta tecnologia de ponta atraiu a atenção da Monsanto – uma multinacional que realizou diversos esforços, mais do que qualquer outra, para comercializar produtos geneticamente modificados – que agora se tornou uma grande investidora na Evogene.

Prós e Contras dos OGMs

Os críticos mencionam diversos estudos que, segundo eles, fornecem provas de que lavouras geneticamente modificadas são nocivas; inclusive, alguns cientistas alegam que os poucos estudos realizados mostram claramente que os diversos benefícios dos OGMs anunciados por seus defensores não se concretizaram e que, na verdade, os OGMs possuem uma série de problemas que lhe são característicos.

Outros cientistas discordam, alegando que os estudos mencionados pelos detratores são inconclusivos.

No entanto, seus defensores dizem que o mundo não tem muita escolha. À medida que a população mundial continua a crescer – ela provavelmente chegará à marca de 8 bilhões até 2050 – a engenharia genética se fará necessária para garantir que haja alimentos em quantidade suficiente para todos.

Em recente entrevista, Rurik Halaby, Diretor Executivo da AgriCapital, uma empresa sediada em Nova York e uma das maiores empresas de fusões e aquisições dá área de agrotecnologia, disse que a demanda por alimentos duplicará até 2050.

“Há cinquenta anos, um hectare alimentava uma pessoa por ano. Até 2050, teremos que quintuplicar esse número – dessa forma, um hectare precisará alimentar cinco pessoas” – disse. “Atualmente, a produção de alimentos depende significativamente de tecnologia”.

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A Evogene claramente se encaixa neste último caso.

“Para garantir suprimentos adequados de alimentos, ração animal e combustíveis, nós nos deparamos com uma tarefa desafiadora, que é produzir mais com insumos reduzidos”, segundo a empresa.

“A principal solução para lidar com esses desafios intimidadores é melhorar o desempenho das plantações para aumentar o rendimento das colheitas, aumentar a resistência frente a mudanças climáticas e reduzir as necessidades de água. A genômica vegetal oferece uma oportunidade promissora para melhorar a qualidade dos vegetais”.

Combustíveis geneticamente modificados

Os EUA são um dos poucos grandes mercados a permitir o uso amplo de lavouras de OGMs, especialmente milho e soja. As lavouras de OGMs estão, de uma forma ou de outra, proibidas nos principais países da Europa e até mesmo na China, que vem se opondo à importação de OGMs por muitos anos – só recentemente, o país cedeu e passou a autorizar a importação de alguns OGMs dos EUA.

O aumento da oposição popular aos OGMs dificulta sua introdução no mercado. Num caso recente, por exemplo, o McDonald’s anunciou que não utilizaria maçãs geneticamente modificadas que haviam sido aprovadas pelo Ministério da Agricultura dos EUA; além disso, tribunais na Europa chegaram a anular licenças emitidas no passado para o cultivo e comercialização de batatas geneticamente modificadas.

Por conta dessa oposição crescente a alimentos geneticamente modificados, especialistas da indústria dizem que grandes empresas do setor, como a Monsanto, vêm se concentrando nos usos não alimentares dessa tecnologia. Uma área na qual os OGMs são bem-vindos é a área de biocombustíveis, para a qual milho e soja são cultivados especificamente para a produção de combustível, com genes aperfeiçoados para desenvolver características nessas lavouras que proporcionem um melhor nível de consumo de combustível.

Há alguns meses, por exemplo, a Monsanto estabeleceu uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para desenvolver tecnologias para o avanço do cultivo de mamona no país. O principal foco desta cooperação são as tecnologias para controlar doenças específicas da mamona, além de práticas para o cultivo da mamona numa rotação de cultura com soja.

A mamona é considerada por muitos cientistas como a planta ideal para a produção de combustível porque seu óleo é solúvel em álcool e não precisa de aquecimento para ser transformado em combustível. Além disso, ela é fácil de ser cultivada e cresce em terrenos marginais, onde o cultivo de vegetais destinados à alimentação é mais complicado. Aproximadamente metade do conteúdo da mamona é formada por óleo; dessa forma, as lavouras de mamona são uma das mais “generosas” em termos de produção de combustível.

Eliminando as ervas daninhas

Com o seu mais novo programa não alimentar, a Evogene busca novas saídas para a área de soluções de controle de ervas daninhas, um negócio de 20 bilhões de dólares. O sistema se baseia numa quantidade maciça de dados, com algoritmos especiais que analisam as plantas e comparam sua composição com as informações no novo banco de dados químicos da Evogene, que atualmente conta com mais de 70 milhões de substâncias químicas derivadas de uma ampla gama de fontes disponíveis, incluindo substâncias naturais e sintéticas.

Uma característica única desse banco de dados é a sua capacidade de fornecer previsões geradas por computador com relação à atividade vegetal da substância química, isto é, a capacidade da substância química de penetrar em determinada planta e gerar o efeito herbicida necessário, matando as ervas daninhas de maneira específica e controlada com garantia contínua de sucesso. Ao fazer isso, a empresa diz que os agricultores poderão utilizar menos produtos químicos, gastar menos com herbicidas e cultivar lavouras de modo mais seguro.

De acordo com a Evogene, as ervas daninhas geram perdas estimadas em aproximadamente 100 bilhões de dólares por ano.

“A Evogene busca oferecer uma nova e poderosa abordagem para um dos desafios mais críticos da agricultura e oportunidades comerciais de grande escala” – diz Ofer Haviv, Presidente e Diretor Executivo da empresa.

“Depois de estabelecer a infraestrutura necessária completa, com todos os elementos químicos e biológicos descobertos devidamente posicionados, temos a base para explorar estratégias de inserção de mercado e possíveis colaborações, além de alavancar nossa infraestrutura, com o objetivo de atender a oportunidades futuras em áreas agroquímicas relacionadas, como inseticidas e fungicidas.”

Fonte: Times of Israel

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