Aumente a produção de alimentos mesmo com escassez de água

Produtores da Califórnia à China têm uma nova ferramenta israelense na batalha para garantir a segurança alimentar nas próximas décadas.

Por que o gigante conglomerado chinês Shenyang Yuanda Enterprise Group comprou a pequena startup israelense de tecnologia agrícola AutoAgronom por US$ 20 milhões?

Duas palavras: segurança alimentar.

Esse é um dos problemas mais urgentes do mundo, à medida que a população aumenta ao mesmo tempo em que ocorre uma redução nas áreas agrícolas utilizáveis e na água disponível. Produtores rurais em todos os lugares, incluindo o país mais populoso do mundo, estão buscando formas de cultivar mais produtos com menos recursos e desperdício.

A AutoAgronom busca atender a essa necessidade elevando a irrigação por gotejamento israelense a um novo nível. Sua tecnologia Root Sense usa sensores para examinar uma variedade de condições de solo e clima ao redor das raízes. Após analisar esses dados por meio de algoritmos avançados, o controlador do sistema proporciona irrigação e fertilização automáticas (“fertirrigação”) customizadas para cada produto.

“Ao adaptar nossa solução, conseguimos mostrar um impressionante avanço com mais de 70 tipos de produtos agrícolas, aumentando significativamente a produtividade ao mesmo tempo em que reduzimos em até 50% o uso de água e em 70% o de fertilizantes”, diz o vice-presidente de marketing internacional da AutoAgronom, Osher Perry.

Ele falou com o ISRAEL21c de Boston, onde a AutoAgronom está concluindo um programa de aceleração de empresas de quatro meses no MassChallenge Israel para startups promissoras.

Em novembro, Perry irá à Califórnia para iniciar a comercialização da solução israelense a produtores atingidos pela seca e representar a AutoAgronom na competição CleanTech Global Forum. A empresa ficou em primeiro lugar, à frente de Paulee CleanTecBreezoMeterEVR Motors e GreenIQ, na final do CleanTech Open Global Ideas em 10 de setembro.

Mais milho

A AutoAgronom foi lançada em 2008, após uma década de pesquisa e desenvolvimento, pelo CEO Nissim Danieli, produtor com experiência em sistemas controladores, e pelo diretor de tecnologia Shaya Redler, especialista em tecnologias baseadas em “lógica difusa”, que lida com raciocínio aproximado.

Um único sistema Root Sense pode cobrir 101 hectares e é composto de sete sensores, um controlador e software. A irrigação é atingida por meio do movimento capilar da água através de linhas de gotejamento não drenadas, usando menos água que na irrigação por gotejamento convencional.

“O resto dos sistemas disponíveis para os produtores hoje são ‘sistemas de apoio a decisões’ em que você tem sensores, mas o produtor ainda precisa tomar decisões. Como o nosso sistema, as decisões são tomadas automaticamente, enquanto o software permite ao produtor monitorar o sistema e identificar problemas, que podem ser muito caros”, diz Perry.

Dados sobre o desempenho de cada sistema são enviados à nuvem diariamente, para permitir que a AutoAgronom compare dados de diferentes propriedades agrícolas e vegetações. Embora o foco agora esteja nos mercados dos Estados Unidos e da China, a tecnologia da empresa está sendo aplicada a 70 tipos de produtos em 13 países, entre eles Israel, Inglaterra, Espanha, Turquia, Marrocos, Peru e Colômbia.

Em cada fazenda onde o sistema da AutoAgronom é instalado, um campo de controle permite a fácil comparação visual. “No caso do milho, o produto mais importante do país, vemos um aumento de 16% na produtividade, e a planta é 50% mais pesada quando nosso sistema é usado”, informa Perry.

Decisões sobre raízes

Reconhecer as raízes de uma planta como o “departamento de compras” dos cultivos agrícolas não é uma ideia nova. Outra empresa israelense cujo produto se baseia na sabedoria das raízes é a CommonSensor, responsável por um dispositivo sem fio que funciona com o sistema de irrigação automática para regar produtos apenas quando estão “com sede”.

“Há um fator comum entre as nossas tecnologias: medir a tensão da água no solo”, explica Perry, que tem experiência agrícola no Deserto de Negev.

“No entanto, a AutoAgronom oferece uma abordagem holística para atender às necessidades de crescimento das plantas. Medimos a tensão da água em várias profundidades, a drenagem a partir do campo, o nível de pH, o nível de nitrato e outros aspectos. Então, calculamos a disponibilidade de oxigênio nas raízes, pois consideramos isso o fator mais crítico para o desenvolvimento das plantas. Nosso método de ‘fertirrigação’ automática utiliza todos esses fatores ao decidir automaticamente quando regar e em que quantidade.”

A empresa detém duas patentes exclusivas: uma para medição da disponibilidade de oxigênio nas raízes e a outra para funcionamento automático e tomada de decisão.

Após sua aquisição, a AutoAgronom manterá sua sede principal e IP em Israel, diz Perry ao ISRAEL21c. Estão previstos escritórios na China e na Califórnia, onde foram identificadas as maiores necessidades.

“O sistema pode nos ajudar a cultivar em solos arenosos, salinos e alcalinos e até no Deserto de Gobi, o que pode restaurar a água no lençol freático e ajudar a lidar com a poluição causada por metais pesados e lixo”, diz o chairman do Shenyang Yuanda Enterprise Group, Kang Baohua.

Perry diz que a AutoAgronom está em discussões para identificar um parceiro estratégico no mercado americano.

“Estamos trabalhando em um modelo de negócio que permitirá a adoção precoce de nossa tecnologia. Como produtores, entendemos as restrições de fluxo de caixa que toda operação agrícola enfrenta. Por isso, pretendemos oferecer um mecanismo de leasing aos produtores, permitindo-lhes instalar os sistemas por meio do nosso modelo de ‘Fertigação como um Serviço’. Os produtores poderão pagar por acre de terra e ao longo de um plano de cinco anos, de acordo com os benefícios econômicos esperados com a adoção de nossa tecnologia.”

Fonte: Israel21c

Pioneiro no desenvolvimen­to de técnicas de fertirri­gação e de reciclagem de água, Israel promove, em abril, em Tel Aviv, a 19ª Agritech, feira internacional de tecnologia agrí­cola, que vai reunir 196 empresas locais e 57 estrangeiras.

Para participar da Agritech 2015:

São Paulo – (11) 3095-3111
Ana Claudia B. Felisardo – [email protected]

Rio de Janeiro – (21) 3259-9148
Tamires Poleti – [email protected]

Nordeste – (85) 3244-4846
Sheila Sztutman – [email protected]

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