Israel: novo pólo para o setor de transporte inteligente

Inspirado por histórias de sucesso mundial como Waze, Mobileye e Moovit, o país está de olho neste setor,  uma indústria lucrativa que pode ultrapassar os US$ 9 trilhões até 2030.

Este artigo foi adaptado de Haaretz.

Não é preciso entrar em detalhes sobre como o Waze é sucesso mundial, usado e difundido  pelos quatro cantos do globo, e como é difícil imaginar como dirigíamos antes dele. Mas a compra do Waze pelo Google não é a única história de sucesso quando se trata de algo relacionado direta ou indiretamente ao segmento de  transporte em Israel.

A Mobileye, que fabrica sistemas de segurança que identificam quando um veículo sai de sua pista ou se aproxima muito de veículos ou pedestres, é avaliada em mais de US $ 7,5 bilhões. O aplicativo de transporte público Moovit acumulou 50 milhões de usuários em 1.200 cidades em todo o mundo. Esses números atraíram a atenção de alguns dos maiores fabricantes de automóveis do mundo, e a BMW é agora um investidor da empresa. O aplicativo para chamada de táxis Gett (anteriormente conhecido como GetTaxi), obteve um investimento de 300 milhões de dólares da Volkswagen em maio passado. A startup israelense Valens desenvolveu um chip para a transferência e processamento de grandes quantidades de dados em alta velocidade no carro inteligente, e está colaborando com a montadora alemã Daimler. Além disso, a General Motors opera uma planta de P & D em Israel desde 2008, e agora emprega 250 pesquisadores. A Daimler está atualmente abrindo seu próprio centro de pesquisa em Israel, enquanto a Renault está planejando uma iniciativa similar.

Todos esses exemplos mostram o enorme potencial de Israel nos setores correlatos: automotivo, mobilidade e transporte inteligente. O  Plano Nacional de Israel para o Desenvolvimento de Transporte Inteligente incluirá na primeira fase a formação de uma equipe liderada pelo diretor-geral do Gabinete do Primeiro Ministro,  pelo diretor geral do Ministério de Transportes e Segurança Rodoviária, e será encarregado de formular uma política que transformará Israel em uma superpotência de transporte inteligente.

O plano exigirá o investimento inicial de aproximadamente 68 milhões de dólares. O plano tem seis pontos-chave:

  • a alocação de território físico para a experimentação em transporte;
  • tornar acessíveis todos os bancos de dados governamentais de transporte para aqueles que desejam desenvolver soluções tecnológicas;
  • promover a cooperação entre a indústria e a academia – essencialmente, criando um MIT israelense que reunirá departamentos como geografia, engenharia, arquitetura, planejamento urbano com o Escritório do Cientista Chefe para avançar ideias tecnológicas no campo do transporte;
  • alterar o regulamento do país para permitir a realização de experiências e desenvolvimentos em Israel, adaptando as leis e normas, como, por exemplo,  conduzir sem as duas mãos ao volante;
  • apoio a novos desenvolvimentos e programas-piloto;
  • mapeamento abrangente de cada estrada, estacionamento, lote, interseção e conjunto de semáforos em Israel.

Países que estão na vanguarda deste desenvolvimento tecnológico e que adaptam os seus sistemas de transporte às tecnologias necessárias podem colher grandes benefícios deste mercado tão promissor e lucrativo (em 2030, o faturamento deve atingir entre  US $ 7,8 trilhões e US $ 9,4 trilhões, com lucros totais de US $ 57,5 bilhões). Israel está em um ótimo ponto de partida para lucrar com a mudança. O país não tem montadoras que podem se prejudicar. Ao mesmo tempo, é líder tecnológico em eletro-óptica, big-data e previsão, e também um líder na transição para veículos elétricos. Israel já tem mais de 500 startups trabalhando no setor. Ao todo, existem cerca de 2.000 empreendedores e cerca de 200 pesquisas e estudos focados em áreas ligadas ao transporte inteligente atualmente em Israel.

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